terça-feira, 6 de julho de 2010

O que se pode fazer com a Matemática?

Vejamos o que Norbert Wiener fez com...


Freqüentemente nos defrontamos com essa pergunta. Às vezes respondemos com paciência, outras com irritação, e às vezes, em tom de brincadeira, dizemos que “a Matemática serve para diferenciar o homem do chimpanzé”. Se bem que, com a pesquisa genômica recente, geneticamente falando, parece ser pequena essa diferença, e a brincadeira pode não ter mais graça, se é que teve alguma. De qualquer forma, mesmo uns poucos milhares de genes ainda podem fazer uma imensa diferença devido às suas milhões, talvez bilhões, de combinações extras, acentuando muito tal diferença. Mas mesmo uma diferença genética, por si só, poderia não convencer definitivamente alguém da “grande diferença” entre o homem e o chimpanzé. A idéia da piada é que o chimpanzé, sem dúvida, não é capaz de fazer Matemática... Um problema dessa piada: mas se o homem é capaz de fazer Matemática, por que a maioria das pessoas não o faz? E ainda ficam questionando o por quê dela e o que fazer com ela...? Há tanta coisa para falarmos sobre a importância da Matemática, que até ficamos paralisados, como se a quantidade de informações congestionasse nossa fala. Por isso é tão fácil e, paradoxalmente, tão difícil, responder a essas duas perguntas. Uma tática diferente da paciência, da irritação e da brincadeira, é remeter o questionador às biografias de alguns cientistas no que respeita à maneira como eles encararam a Matemática e ao uso que fizeram dela. O questionador pode procurar em bibliotecas, na Internet, em enciclopédias, etc., o nome, por exemplo, de Norbert Wiener, para ter uma idéia sobre o que se pode fazer com a Matemática. Norbert Wiener (1894-1964) foi uma personalidade singular entre os matemáticos da primeira metade do Século XX, não apenas em face do prestígio que obteve pela criação da cibernética, mas principalmente pelo seu envolvimento profundo, amplo e criativo em várias áreas, não necessariamente interligadas, do conhecimento humano. Entre as quais, a fisiologia, a sociologia, a filosofia da lógica, a engenharia elétrica, a criação de sistemas mais eficientes de artilharia antiaérea e por último, mas não menos importante, o desenvolvimento da teoria das funções de várias variáveis complexas, posteriormente conhecida como análise harmônica generalizada.
Uma característica notável de Wiener era o seu interesse profundo pelas aplicações da Matemática, e que permaneceu vivo durante toda a sua carreira. Acreditava que os matemáticos não podem ou não devem ignorar o mundo exterior, e que devem tanto aplicar o seu conhecimento quanto assumir a responsabilidade pela sua propositura. E agiu sempre assim, a despeito da enorme influência de Godfrey Harold Hardy (1877-1947), pois segundo este, a Matemática deveria ter o seu interesse motivado unicamente por razões de ordem estética e não por aplicações. Hardy teceu grandes elogios ao trabalho de Norbert em análise harmônica devido à elegância e beleza com que ele escrevia. A esse respeito é curioso observar que a teoria dos números, que Hardy tanto amava por ser a mais pura das teorias matemáticas, seria aplicada pelo seu discípulo Wiener futuramente em criptografia (elaboração e decifração de escrita e mensagens em código), telecomunicações e ciência da computação. Wiener nasceu em Columbus, Ohio, Estados Unidos. Graduou-se em Matemática pela Universidade Tufts, em 1909, aos quatorze anos. Anteriormente havia tentado estudar zoologia em Harvard. Passou um ano estudando filosofia na Universidade Cornell, voltando depois a Harvard. Escreveu sua dissertação em nível de doutoramento, sobre lógica baseada em Schroeder, Whitehead e Russell, obtendo o título de Ph. D. aos 18 anos de idade.

Jil.

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